quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Visita ao Showroom Cinex

               Em visita à Serra Gaúcha com um grupo de amigos arquitetos e decoradores, tive a oportunidade de ser recebido no showroom da Cinex pelo empresário e fundador da marca no Brasil e sua equipe. Especializada em peças (principalmente portas e vidros de altíssima resistência) utilizadas na confecção de mobiliário planejado, tem também uma atraente linha de portas para uso arquitetônico. Versada e muito diligente a equipe nos conduziu pelos vários ambientes do showrrom mostrando em seus domínios o que há de mais atual em sua linha de produtos. Focada no cunho moderno e limpo de suas formas, deu ênfase aos avanços tecnológicos experimentados pela fábrica, desde sua inauguração até a atualidade, com especial detalhe aos planos futuros.



Os profissionais catarinenses em uma parada no showrrom:
 em contato direto com as novidades e alguns protótipos.


Abaixo o grupo recebido na sala de audiovisuais para uma conversa e um filme publicitário:
 especial atenção para as belas mesas brancas oferecidas ao mercado pela Cinex.



A linguagem adotada é sempre muito limpa e leve.
 Seus acabamentos, sempre muito sofisticados. 


Lançamento: a cristaleira colorida. Completamente feita na fábrica.



Acima uma ambientação com as novas coifas que podem ser usadas individualmente ou aos pares.


Expositores com as coifas produzidas pela empresa.



Detalhe das cantoneiras com diversas opções de cores de acabamento.


Abaixo a moderna coifa, sem suas capas, exibindo seu motor 
para fácil entendimento do seu mecanismo e funcionamento.


A seguir alguns modelos de portas produzidas pela Cinex e comercializadas pela Abito.



             As linhas bastante arrojadas dos produtos, cujos valores de revenda ficam acima da média praticada no país, denotam que as peças, desenvolvidas e oferecidas ao mercado, são pensadas para agregar valor e sofisticação ao ambiente decorado, satisfazendo aos anseios de um público bem determinado, consumidor de luxo, qualidade e bom design. 



          A visita, ainda que rápida, foi muito interessante e rendeu bons momentos, além de frutíferos debates sobre tendências, projeto, produção, execução e relações mercadológicas. As linhas retas e puras, as cores sólidas, as poucas estampas oferecidas, os tratamentos variados com acabamentos brilhantes ou opacos de suas superfícies, bem como as estruturas metálicas e acessórios, se mostram totalmente reféns do desenho italiano. A empresa nasceu dessa parceria entre mão-de-obra brasileira com criação e operacionalização italianas e nomeia seus produtos como sendo "as portas da Itália".

domingo, 13 de setembro de 2015

Yas Viceroy Abu Dhabi Hotel


            Primeiro hotel no mundo a ser construído em cima de um circuito de Fórmula 1, esse projeto estabeleceu um novo padrão arquitetônico para edifícios com essa função a partir dos  primeiros anos do século XXI. Iniciada sua construção no ano de 2007, levou vinte e quatro meses para ser inaugurado com muita propaganda e larga exposição mundial, a tempo da primeira corrida sediada no autódromo de Abu Dhabi. Possui cerca de quinhentas e setenta luxuosas unidades de hospedagem, distribuídas em quase oitenta e cinco mil metros quadrados de área útil, assentadas sobre cento e cinco mil metros quadrados de área total.


             Com assinatura do escritório Asymptote Architecture, consiste em dois edifícios de formato alongado e orgânico, interligados por uma passarela que cruza a pista automobilística e cobertos por uma única carapaça de aço e vidro. Suas linhas arredondadas lhe conferem um ar aerodinâmico que dialoga muito bem com o local onde foi implantado (sobre o circuito e ao lado de uma marina) e com o tema do esporte de velocidade.
              O autódromo ao lado é lindo e suas instalações são sensacionais. A perspectiva que se tem a partir dos jardins do hotel que se debruçam sobre parte da pista é bem legal e mostra como o hotel se integra com o todo. 


             A cobertura metálica, em forma de grelha, pesa duas mil e cem toneladas e é coberta por cerca de cinco mil placas de vidro. Nela foram instalados 5.389 pontos de luz com tecnologia LED que exibem vários jogos cromáticos e iluminam teatralmente todo o prédio, sempre com padrões muito originais e de extrema beleza cênica. Ele pode ficar colorido ou monocromático respeitando somente a vontade do programador. A marina serve de pano de fundo para a construção e a noite reflete as luzes que brilham coloridas. Lindos efeitos que criam belas paisagens artificiais... Em um país paupérrimo de elementos naturais, com um relevo muito plano, a arquitetura, o urbanismo e o paisagismo passam a desenhar o meio ambiente e a criar uma paisagem completamente nova.


O prédio entre a marina (do lado esquerdo) e a pista de corridas (na direita).



Os dois corpos do hotel posicionados perpendicularmente um ao outro. 
Entre eles o vão por onde passa a pista de corridas.


O prédio é lindo de todos os ângulos.


Detalhe da grelha metálica, denominada GridShell, durante a noite.


Linda perspectiva


Os pilares que sustentam a cobertura parecem muito delgados... ilusão!


Acima duas vistas (uma noturna e outra diurna) do espaço coberto entre as duas alas.
A estrutura branca na base da fotografia é a ponte que liga ambas as torres.

Abaixo uma vista de uma das duas piscinas da cobertura.
 Esta parcialmente coberta é reservada para adultos.


A seguir a outra piscina liberada para toda a família: totalmente descoberta. 



Nos longos corredores do térreo, paredes vazadas reproduzem a ideia da grelha externa.
Frisos metálicos encravados no piso de epóxi dão brilho e auxiliam na circulação.
Um detalhe mané: as portas parecem ter saído de um filme barato de ficção científica.
Um detalhe pobre: o projeto luminotécnico deixa a desejar...


          As altíssimas, caríssimas e inacreditavelmente belas paredes vazadas, das áreas comuns, executadas em Corian branco (cor predominante no prédio), serpenteiam pelos corredores escondendo áreas de lazer e entretenimento. Muito longas e sem emendas aparentes, são um atrativo a mais. Dão um show de decoração e dispensam qualquer outro elemento.  

Nas fachadas as linhas dos andares permanecem à mostra.


           Acima um pormenor da imensa e incrível estrutura espacial que cobre o conjunto arquitetônico. As peças quadradas de vidro posicionadas como escamas, servem para desviar o vento e rebater os reflexos da luz solar. Em cada um dos quatro pontos de fixação foram colocadas luminárias que acesas formam uma grelha uniformemente iluminada a noite. Esse recurso de brise-soleil é muito indicado para climas como o que possui os Emirados Árabes Unidos, entretanto, o projeto apresenta uma falha imensa quanto à limpeza e manutenção de toda essa estrutura. Assim como foram instaladas luminárias, espargidores de água também deveriam ter sido previstos e locados de tempos em tempos para auxiliar na limpeza e manutenção do prédio. Isso porque o hotel fica em uma região litorânea e é cercado por um imenso deserto. Justo por isso a grossa areia em suspensão aliada ao ar bastante úmido e muito quente acaba grudada por tudo. A estrutura de aço completamente pintada de branco mostra imediatamente a capa bege e fosca de areia, assim como a superfície lisa e transparente do vidro que fica embaçada e perde o brilho. 


Acima um esquema da cobertura que mostra seus apoios


               Neste corte esquemático abaixo, fica fácil ver a relação estabelecida entre a estrutura espacial independente e o corpo principal do prédio. Os quartos ficam a certa distância da pele externa que se eleva e dá acabamento à cobertura. Nem todos os quartos são cobertos pela capa de escamas que se curva e ondula por todas as fachadas, mas a maioria pode desfrutar dessa "cortina". Isso na verdade não é nenhum problema porque a cobertura é de vidro e a paisagem ao redor não possui nenhum atrativo, restando ao edifício em si o foco de interesse.


          Todos os quartos e suítes são dotados de uma estreita varanda de onde o hóspede pode se deleitar observando a ousada concepção dos arquitetos.  


             A planta baixa que mostra os pavimentos "Tipo" de ambas as torres e a relação física e espacial  entre elas, posicionadas de forma perpendicular entre si, é na verdade bastante simples e descomplicada. A torre da direita fica paralela à marina do complexo esportivo e hoteleiro, enquanto a da esquerda fica em meio ao autódromo. A implantação dos dois idênticos corpos alongados e ovais, foi o que determinou o formato final da grande cobertura que, visto do alto, lembra a letra "T". Abaixo uma foto aérea colhida na internet.


          A arquitetura do conjunto é muito corajosa e bastante progressista, exibindo tecnologia de ponta e abusando dos altíssimos orçamentos. O único problema que vejo é o teor de tanta originalidade e modernidade, pois pode acabar vitimada por tanto arroubo. Ao meu ver, corre um grande risco de ficar ultrapassada facilmente em pouco tempo, ao invés de se tornar um clássico mundial. Assim, analisando puramente em termos estéticos, tantos prédios icônicos, sendo erguidos praticamente ao mesmo tempo (por todos os lados de Abu Dhabi e nos demais emirados unidos), com tamanha audácia em um ritmo impressionante, pode ao longo do tempo produzir algo como Las Vegas ao invés de oferecer ao mundo um momento histórico semelhante à Brasília. Mas isso só saberemos com o passar dos anos. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Centro de Design e Arquitetura de Glasgow

          O The Lighthouse Centre Of Glasgow é um centro de visitantes com espaço para convenções, cujo tema é relacionado com a arquitetura e design. Serve como instituição de fomento e propulsor de atividades relacionadas ao exercício do desenho técnico e artístico, além de trabalhar para a proteção e manutenção do patrimônio histórico edificado na cidade e no país. Nele podemos encontrar laboratórios, escritórios, áreas de conferências, salas exibição e espaços de nogócios que promovem juntos ou separadamente vários programas ricos em eventos e atividades diversas. Existe também no primeiro andar uma loja de design.


           Fundado em 1999, dando nova função à um belíssimo edifício de tijolos vermelhos datado de 1895, que serviu de sede de um importante periódico local e reafirmando a vocação de Glasgow como importante centro de arquitetura e design no Reino Unido, tem em seus domínios uma ala, que pode ser entendida como um pequeno museu, dedicada ao seu mais célebre arquiteto: Charles Rennier Mackintosh.
           

              A visita ao Lighthouse é quase que obrigatória para todo o arquiteto que vai à Glasgow. É o início de um passeio temático em torno do nome de Mackintosh. O prédio sede desse centro cultural é a primeira de suas obras a ser visitada em um tour que passa por algumas casas de chá da área central e acaba na Escola de Design a poucos quarteirões de distância. 


            Tem-se nesse centro cultural um apanhado de toda a obra desse arquiteto e design de móveis, que ainda é o nome mais famoso da Escócia nessa área. Painéis informativos e cronológicos contam a trajetória e detalhes da sua vida com fotografias e desenhos de inestimável valor histórico. Muitos projetos, croquis e maquetes provam o quão magnífico é o seu legado. 

Abaixo, posando ao lado da maquete da Escola de Arte de Glasgow.


             Além de todo o material iconográfico, textos e maquetes a sala exibe um conjunto de móveis que fizeram a fama de Mackintosh como um dos grandes designer do início do século XX. Algumas de suas mais belas peças de mobiliário (na maior parte cadeiras) estão em exibição permanente e podem ser tocadas e testadas a vontade.

          Belíssima, a cadeira Willow, em formato de meia-lua e encosto parcialmente quadriculado, é uma das peças icônicas do Art Noveau escocês. Sua estrutura de madeira, sempre recebe tratamento escurecido e o assento pode ter diferentes cores como azul, verde ou rosa, ainda que o vermelho seja o mais encontrado. O mais importante (e obrigatório) é que a cor do tecido deva ser sempre muito vibrante, para contrastar com a madeira escura. Um detalhe curioso: a cadeira foi criada para também funcionar como peça divisora de ambientes.



          A cadeira Argyle Street, em madeira amendoada, com espaldar altíssimo e assento estofado, possui linhas que remetem ao desenho ancestral celta. Desenhada por volta de 1898, para compor a decoração interna de uma casa de chá situada na rua que lhe dá o nome, atravessou o século vinte e mantém-se ainda muito atual. Com marcadas característica das linhas adotadas por Charles Rennier em seus projetos de mobiliário, é um de seus clássicos e divide fama com outras cadeiras expostas permanentemente nessa área.



Algumas maquetes de obras não executadas. 





A escada helicoidal que leva ao terraço no topo da torre do prédio que antes servia como caixa d'água.