terça-feira, 9 de junho de 2015

Expo Milão 2015

MILÃO 2015


Antes de ir para Rho e desfrutar das novidades tecnológicas da Expo, uma passadinha na frente do Duomo e do prédio sede da Edidora Mondadori, projetado por Oscar Niemeyer.


            Edifício Mondadori é, em minha opinião uma das obras modernistas mais lindas da Europa!Sou vidrado nesse prédio! Sua colunata e seus arcos de diferentes tamanhos são muito originais.Lembra muito o nosso Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores em Brasília.
           Concluído em 1974 dá um show em todos os edifícios modernos terminados na mesma época, que na sua maioria são feios de chorar. Esse prédio mostra uma maturidade enorme nessa fase do arquiteto, que dava muita ênfase às proporções e formas prismáticas, cuja liberdade da composição desses arcos é um claro avanço em relação ao prédio brasileiro. 


A EXPO

          Com datas de início e término em primeiro de maio e trinta e um de outubro de 2015, a Exposição Universal teve como sede, pela segunda vez em sua história, a cidade italiana de Milão.


          Sempre abordando assuntos de interesse global, a Expo enfoca nessa edição a produção de alimentos na atualidade e sua perspectiva para o futuro. Com o tema Alimentar o Planeta – Energia para a Vida, os diversos países exibem sua participação no panorama mundial e apresentam inúmeras propostas para o desenvolvimento sustentável no próximo milênio.
           Milão preparou, depois de 109 anos de sua primeira Expo, um gigantesco parque com cerca de 110 hectares.



Sofríveis esculturas de personagens feitos de comida estilizada...
apropriadas ao tema e ao país, mas de gosto duvidoso. A Baianinha até que era charmosa... (risos) 


Já na entrada uma grande esplanada seca! Muito seca! 

Faltou água e verde! Sombras naturais seriam bem vindas!

 Logo numa exposição cujo tema era relacionado à natureza...


Acima a interessante estrutura de um prédio de apoio na entrada da Expo, denominado Expo Centre, no mesmo estilo do Pavilhão Zero. Logo na entrada uma estrutura que no final seria uma das mais interessantes.

 O chamado Recinto de Exposições conta com cinco pavilhões temáticos dos quais o Pavilhão Zero me pareceu o mais atraente.

Abaixo a boba cobertura do vão central de circulação. Olha esse piso! Nada! Nada de bom nem bonito!


          A área da Expo de Milão desaponta um pouco: não foi das mais bonitas. Depois da Expo de Lisboa o padrão se elevou bastante e essa versão italiana não superou suas antecessoras. A gigantesca estrutura de toldos atirantados (mais que necessária) que cobre o imenso corredor central atrapalhou muito a visualização da maioria dos pavilhões. Para piorar, à essa grande área de circulação coberta, não foi dada a atenção devida e nada de interessante ou bonito foi feito. Pouquíssimo mobiliário urbano e nenhum tratamento paisagístico. Para piorar foram colocadas algumas poucas instalações que apresentavam, de forma muito simplória, cenas da produção agrícola e vinícola italiana ao estilo rústico e envelhecido das estátuas da entrada. Mais adequadas à festa do vinho da Serra Gaúcha. Medonhas!  

           Com dois grandes eixos batizados de Decumano e Cardo que se cruzavam ao centro, na chamada Piazza Itália, tendo os pavilhões perfilados em ambos os lados, os italianos apresentaram ao mundo sua quarta Expo. À Itália coube a totalidade do eixo menor e perpendicular ao outro central. Nele foram erguidos vários pequenos prédios onde cada região do país pôde exibir suas riquezas. O pavilhão da Itália propriamente dito me pareceu o maior de todos e foi localizado em uma das pontas desse menor eixo (Cardo), bem na frente da maior fonte de água. Ao centro dessa fonte circular, cercada pela Lake Arena, foi erguida a cafoníssima Árvore da Vida (principal atração do parque e símbolo da feira) onde, regularmente, são realizados shows de águas, luz e fumaça. Na verdade a estrutura em si é legal, mas quando começa o show a estrutura se transforma. É bom que fique claro que essa opinião é minha e que tudo na vida é questão de gosto...


A comunicação visual também não era das melhores... Faltou design! E logo em Milão!


          Muito próximas das áreas destinadas aos pavilhões e demais edifícios de apoio, as coberturas atirantadas do corredor central atrapalharam a circulação e projetaram seus cabos além do desejado. Obstruíram uma visão ideal e poluíram a paisagem. Uma pena. Se houvesse uma distância maior entre os pavilhões e essa grande cobertura, talvez preenchida por jardins e fontes, a coisa teria fluído melhor. A grande avenida central tornou-se feia, áspera e bruta. As grandes fontes que existiam, ficaram deslocadas e não contribuíram em nada para o embelezamento do local, nem para a umidade do ar. Zero para o plano geral, que apesar de muito bonito no mapa (planta baixa da implantação) não correspondeu às expectativas. 

          A seguir algumas fotos de uns poucos pavilhões. Eram 141 países dispostos em mais de 90 pavilhões! Impossível visitar todos em um único dia e ainda passar o tempo todo fotografando. Em vários a visitação era muito concorrida e em outros as atividades muito interessantes. Por isso a máquina muitas vezes ficou totalmente esquecida. Dessa forma seguem aquelas imagens que tive a oportunidade de registrar. 

          Começando pela República Tcheca. Com um prédio bastante simples, completamente vedado por aletas brancas, o país apresentou um espaço moderno mas tímido e pouco interessante. Nenhuma novidade nesse pavilhão que também era pobre por dentro.          


Linhas puras e modernas com uso de poucas cores. O primeiro! Beneficiado pelo fato das pessoas ainda estarem descansadas e muito curiosas! Pouco enfoque sobre nutrição e produção. 


          O interessantíssimo prédio do Vietnã. Lindo por fora e fraquinho por dentro, esbanjou originalidade com recursos baratos de arquitetura. Sobre um caixote de vidro foram posicionadas enormes e altíssimas floreiras de bambu com diferentes alturas que deram movimento e graça à construção. Ao todo eram quarenta e cinco árvores executadas por vinte artesãos vietnamitas. Bacanérrimo! 


 Quase todos os pavilhões não tiveram o efeito desejado da vegetação se incorporar ao prédio.
Para isso faltou tempo. Imagine as folhagens dominando o topo e caindo em franjas...


          Por incrível que possa parecer, esse pavilhão de menos de quatrocentos metros quadrados teve um custo superior à dois milhões e meio de dólares.

Pena que os vidros eram translúcidos! Poderiam ganhar cores! Ou ainda serem espelhados para duplicar a beleza das tulipas de madeira... e tapar a bagunça do seu interior! (risos)


Abaixo algumas imagens do projeto.


           Infelizmente, na esmagadora maioria das vezes, o objeto edificado resta pior que o projeto. Ainda que tenha ficado maravilhoso depois de pronto, o pavilhão do Vietnã perdeu muito com a diminuição de seu espelho d'àgua que era um forte elemento duplicador das belíssimas estruturas de bambu que evocam a flor de Lótus. Outro fator muito importante foi a falta de tempo que a vegetação teve para se incorporar ao prédio. Pode ser que os visitantes que forem nos últimos dias de exibição, na segunda quinzena de outubro, possam ver o verde mais forte e mais integrado aos prédios, bem como possam ter a sorte de presenciar os pavilhões acesos com todos os efeitos de luz projetados. Não tive essa sorte porque na época em que fui anoitecia muito tarde.


Por dentro o tema se repete.


          A Lituânia também adotou a linha quadrada e completamente branca. Mais uma segunda pele metálica! Muito bonito mas sem nada de especial. Previsível... As peles metálicas só perderam espaço para as trabalhadas superfícies de madeira dos pavilhões mais interessantes. Pouco concreto armado aparente e poucas estruturas metálicas aparentes. Gostei do uso, ainda que em poucos pavilhões dos tecidos tecnológicos e tensionados. E quanto aos vidros: ainda bem que os vidros perderam o foco e funcionaram simplesmente como vidros! Fechando vãos e aberturas, excetuando as fabulosas esferas vítreas do Azeribaijão! 


          Um grande erro por parte dos projetistas e recorrente nessa Expo foi o fato de muitos pavilhões, inclusive este, darem a entender que ficariam mais bonitos a noite, enriquecidos pelos efeitos da iluminação artificial. Não tenho a menor dúvida de que a grande maioria deva mesmo ser infinitamente mais bonita a noite. O problema é que em Milão, nessa época do ano, anoitece muito tarde, por volta das nove e meia da noite. Por que então, projetar um edifício dependente de recursos de luminotécnica para ganhar valor, se a maior parte da visitação é feita durante o dia? Talvez quem visite o local no último mês (outubro) tenha mais sorte e possa desfrutar de alguns pavilhões a noite. Nesse caso deve ter muita atenção com o Reino Unido.


A pele de metal pouco aparece... de perto era legal...


          A Bielorrússia veio com uma versão estética de gosto um pouco duvidoso, porém diferente e bastante interessante. Foi o único país a optar pela cobertura vegetal em seu teto que cobria uma calota dividida ao meio, onde uma roda d'`agua virtual marcava a entrada. Totalmente forrada por várias espécies de gramíneas e tapetes vegetais, esse pano semicilíndrico de textura variada e vegetação rasteira, chamava a atenção também pelos ricos e variados tons de verde. 

             Um sutil deslocamento entre as duas partes do prédio evidenciava ainda mais a locação dos seus acessos, fortemente marcados pela grande roda que funcionava como elemento de ligação entre as duas fatias. O contraste entre a natureza vegetal de sua cobertura com a estrutura metálica pintada de um industrial tom de cinza foi fantástico e resumiu de forma clara o tema evocado.


Na roda d'água virtual imagens e textos relacionados ao pavilhão.


          Abaixo o maravilhoso prédio da Malásia! Show! Um dos melhores! Certamente inesquecível.
 É por causa de estruturas como essa que vale a pena visitar uma Expo.


Esse sem dúvida nenhuma foi o mais original. Um dos meus favoritos!
Só perdeu para o Brasil.


A Alemanha certamente ficou com inveja! parece um Zepelin!


Exoesqueleto de madeira vedado com tecido tecnológico... muito bom!


          Essa estrutura foi feita com madeira laminada e colada, formando aproximadamente oitocentas peças rígidas conectadas por mais de 3.000 peças metálicas.


Muito movimento e diferentes perspectivas a partir de formas gêmeas.
 Boa variação de um mesmo tema.




As peças metálicas cobertas por um tom terroso sumiam ao longe: boa sacada!


Acima uma foto do pequeno teatro dos fundos. Nessa célula o tecido não cobria a totalidade das paredes para manter a relação entre interior e exterior.
Abaixo a falta de um parafuso denota a pressa no momento dos acabamentos... Até lá!


A seguir o pavilhão do Café que reuniu vários países produtores do fruto.


          Bem comprido e com pé direito duplo, esse pavilhão criou uma circulação paralela ao Decumano e atraiu muita gente, pelo simples motivo de ser infinitamente mais agradável e interessante. Nele várias nações mostraram dados de suas safras, tipos diferentes de grãos e tudo o mais que fosse relativo à cultura do Café.


Essa estrutura, mostrada acima,  formada por contêineres, mesmo que muito batida, era bem bonitinha e muito apropriada.
Abaixo um detalhe das paredes formadas por lâminas de madeira com corte e acabamento rústicos.
Se tem uma palavra que possa traduzir o estilo arquitetônico que prevaleceu nessa Expo, essa palavra é TEXTURA!


O Uruguai...


          Pequeno mas corajoso. O Uruguai nem sempre tem seu próprio pavilhão e dessa vez criou um prédio de apenas oitocentos metros quadrados, divididos em três andares, bem simples mas com muita força. Suas peças de madeira rústica criaram uma grelha muito interessante junto com a estrutura metálica branca, nessa segunda pele que brinca com a luz solar, projetando suas sombras no bloco maciço e completamente branco ao fundo. Sua forma ovalada eliminou arestas e ampliou os limites da textura. Em meio à gigantes fez bela presença. Adorei



          A China veio com uma estrutura fenomenal com vigas de madeira orgânicas maravilhosas, formando um esqueleto aparente que roubou a cena. Paupérrimo em conteúdo: o que valia a pena mesmo era o prédio em si. E como valia a pena! Depois de passar por um inacreditável canteiro de flores amarelas, compacto e marcante o visitante descia suavemente rumo à entrada na lateral do pavilhão. A visita pelo seu interior era rápida e divertida e o que havia de mais interessante era um campo iluminado, que assim como em outros tantos pavilhões, mudava de cor em desenhos muito bonitos. O observador contornava essa instalação subindo por rampas em direção à saída. A China inverteu a lógica e fez a entrada discreta e a saída  com grande presença pela escadaria principal do prédio localizada na parte de maior destaque de sua fachada. Sempre os orientais para quebrar paradigmas e reinterpretar poeticamente clássicos conceitos. 


A interessante cobertura em metal e madeira.
A estrutura aparente que funde teto e paredes e transforma pilares em vigas: belíssima! 






Um dos melhores resultados plásticos da Expo.



Certamente um dos mais belos e originais.




Mais uma passada pelo pavilhão chinês... agora voltando...
O efeito das luzes projetadas pelos bastonetes de acrílico que formavam essa imensa tela, foi uma das coisas mais bonitas de toda a exposição.



          O Azerbaijão também apresentou um pavilhão rico em detalhes. De todos foi o mais interessante em termos de tecnologia e originalidade, sendo porém um pouco confuso em critérios de estilo e arquitetura. Não tinha uma linha muito definida, ainda que esbanjasse personalidade. Baseado em esferas de vidro que apereciam tanto na fachada como no seu interior, era um dos mais procurados e um dos mais agradáveis de ser visitado. O tema foi muito bem desenvolvido em seu interior, coisa que faltou em muitos de seus vizinhos. 


Apesar da cara "high tech", foi um dos países que melhor trabalhou o tema da sustentabilidade.


As lâminas de madeira onduladas desse prédio eram lindas!



O Azerbaijão misturou linhas das décadas de 1980, 1990 e 2000! Será uma tendência?
Mas ficou muito legal.



          Os Emirados Árabes Unidos levantaram um belíssimo e ondulante prédio que parecia guardar segredos milenares! Muito procurado, disputava com o Brasil o título de pavilhão mais visitado. Suas paredes ondulantes e frisadas eram muito originais e incrivelmente belas, entretanto, não gostei muito da cor escolhida... empobreceu um pouquinho, ainda que fosse excelente para absorver a abundante luz solar do verão italiano. Essa cor é na verdade uma tendência nas obras civis daquele país, que busca nesse momento uma integração maior da arquitetura de ponta com suas raízes desérticas. Tons terrosos predominam nas novas estruturas levantadas às margens do Golfo Pérsico. Nada porém, ligou esse pavilhão às formas tradicionais da arquitetura de raiz daquela povo, preocupando-se em firmar a imagem dos Emirados Árabes Unidos como celeiro de novas tecnologias e formador de opinião sobre arquitetura e urbanismo. Fugiu do esteriótipo, coisa que seus vizinhos  árabes não fizeram! De zero à dez: DEZ!     


          Paredes ondulantes em ambos os planos: tremendamente lindo! O desenho frisado e ondulado, impresso em relevo nas paredes, lembra o desenho feito pelo vento nas imensas dunas de seus desertos. Arquitetura de muito bom gosto e extrema sofisticação com invejável execução. No interior, a cor dessas paredes ficou bem melhor; isso porque os planos ganharam matizes com as projeções de várias sombras (que também ondulavam pelas superfícies frisadas) além dos efeitos da iluminação artificial. Me rendi ao único defeito que achava ter encontrado.
      


 O prédio exibe lindas e fortes referências às dunas e formações rochosas daquela região. Muito apropriado. 

          Abaixo uma foto do pavilhão do Kazaquistão (sede da próxima Expo). Esse país parece ter sido o único a entender como tirar partido da luz solar! (risos). Suas paredes de peças metálicas polidas, quase espelhadas, deram um show! Adorei. O volume era pobre e o tamanho reduzido, mas assim como o Uruguai apresentou um pequeno notável! As filas eram também enormes. O trabalho em escama de peixe deu uma tridimensionalidade às paredes que me surpreendeu e fez com que eu ficasse fã. Notável também a linha junto ao céu que deu um belo acabamento ao conjunto eliminando a óbvia linha reta.


          A Tailândia também optou pela madeira e pelo jogo de luz e sombras em uma bem interessante cobertura cilíndrica que se expandia rumo ao chão. Parecia um vulcãozinho (rsrsrsrs). O pavilhão foi correto, mas sem muito destaque, tanto por parte de sua arquitetura como de sua localização, apesar de ser bem ao lada de uma das fontes do parque de exposições. O problema foi que teve dois partidos diferentes que causou uma certa ruptura no desenho do prédio. Apresentou um grande volume insípido, rígido e quadradão com um desajeitado vinco na horizontal onde a tal estrutura de madeira deveria se encaixar. Não combinou... nem perdi tempo com esse...


          Argentina!!!!!! Simplesmente o pior de todos! Inacreditável de tão feio e chato! Aborrecido! MEDONHO! Proporcional à sua feiura somente a presunção de seu letreiro: "Argentina te alimenta". Nada de original e com cara de ter sido feito na última hora. E pelo visto a opinião não é só minha: não havia fila alguma! Nunca...


          O Reino Unido veio com uma estrutura metálica bastante intrigante. O pavilhão, como um todo, não podia ser classificado de bonito porque parecia que tinha sido montado a partir de vários outros. As partes não combinavam entre si e não tinha cara de uma arquitetura coesa. Mas nem por isso era desinteressante. Bem pelo contrário: a massa retorcida de metal vazado era o máximo! Esse volume leve e brilhante de formato quadrado por fora (um cubo de 14m x 14m x 14m)inseria uma esfera interior oca e habitável. Bem legal...


Esse era mais um dos tantos pavilhões que deveria ficar mais legal iluminado a noite.



Na entrada, canteiros de madeira com vegetação das Ilhas Britânicas.
Não combinou mas fez da fila algo agradável.


Na parte alta um terraço com bar forçava o visitante a sentar e desfrutar ainda mais da estrutura de metal. 


A treliça de alumínio evoca a colméia: tema principal desse projeto britânico.




Bem legal!


Será que os ingleses sabiam que iriam sacaneá-los com uma parede cor-de-rosa no prédio ao fundo?
Onde faltou o bom senso? De quem foi a culpa? Erro crasso no planejamento.


          A Espanha não apresentou uma arquitetura de ponta, decepcionando um pouco. Logo os espanhóis! Deles sempre queremos algo inovador e original! Mas por dentro a coisa mudava um pouco. Muita tecnologia e uma das salas mais interessantes e atraentes de toda a Expo. Pra feio não servia porque a estrutura vazada era bastante atraente, muito longa e ritmada. A perspectiva mais bonita certamente era de sua lateral. Assim como esse, muitos dos pavilhões eram mais bonitos em suas laterais, principalmente aqueles posicionados nas esquinas.


O letreiro na fachada da Espanha estragou o conjunto dando-lhe cara de algo amador.

                 A sala mais interessante e concorrida da exposição espanhola, tinha uma projeção de imagens nas paredes e teto que por sua vez eram revestidos de objetos que lembravam pratos protegidos por placas de vidro... bastante interessante e interativa. Recursos como esses foram pouco utilizados pelos países em geral o que tornou o pavilhão Zero muito mais atraente.


Abaixo a  França: bonito só por fora! Por dentro era chato, pobre e sem nenhuma novidade, parecendo um mercadão.
Sua sofisticada estrutura pedia algo melhor.


Mais uma complexa grelha de madeira. Agora orgânica. 


          O México era diferentão! Adorei sua estrutura metálica com essa telinha bem miúda com cor acinzentada. Muito atual e diferente da maioria que optou por madeira. Gostei dos detalhes em preto e do fato de ser bem horizontal. Seu desenho toma por base a cultura do milho, principal contribuição do pais para o mundo. O México foi muito esperto e distanciou ao máximo seu pavilhão do calçadão central: funcionou!


          Israel com sua fachada levemente inclinada e revestida com um tabuleiro vivo. Tal qual o pavilhão estadunidense, levou para a Expo sua "fazenda vertical". Essas paredes verdes já estão meio chatinhas...


Abaixo a Itália! Já vi isso antes! Seria num tal Ninho do Pássaro?
O Palazzo Itália pareceu o mais alto e maior! Nem por isso o melhor!
 Por dentro era uma "Babilônia".


               O Palazzo Itália é um gigantão com cerca de 14.000 metros quadrados de exposições que foi projetado para ficar de pé após o fim da Expo como presente à cidade. Muito, muito, muito pretensioso e feioso. Um novelo de lã deformado por brincadeirinhas de gato. É o que parece! Se não fosse a balela de ter sido construído com uma espécie de concreto súper moderno e súper milagroso com propriedades biodinâmicas capazes de purificar o ar, ele passaria à margem de outros muito mais simples porém imensamente mais interessantes. O prédio também se gaba de seu teto de vidro fotovoltáico, e de seu concreto executado a partir de materiais reciclados como restos de mármore de carrara. Quanto à estética, tenta sem muito sucesso estilizar uma floresta petrificada. ou seja: a arquitetura criando árvores que mesmo depois de petrificadas continuam purificando o ar: visionário... 


              Acima a  mais que infame Árvore da Vida, no epicentro dos espetáculos e principais acontecimentos sociais da Expo: o Lake Arena. Com dimensões consideráveis atingiu 37 metros de altura e 25 metros de diâmetro em seu maior ponto. Implantada ao centro do espelho d'água na cabeceira do Cardo, bem em frente ao Palazzo Itália. Durante os shows apresentados de tempos em tempos ela se transformava na visão do inferno: dela saia fumaça colorida nas cores da Itália e depois só piorava: ao som de uma trilha sonora irritante, leques coloridos preenchiam seus espaços vazios e terríveis flores plásticas brotavam por todos os lados! Ainda bem que o jogo de luzes salvava a coisa! Italiano quando quer, consegue ser muito cafona!

          Lindinho, o Equador veio com uma fachada franjada de correntes coloridas que formavam esse maravilhoso desenho! Era único! Prova que os pavilhões pequenos roubaram a festa! As paredes ganhavam vida com suas cores metalizadas somadas ao movimento causado pelo vento. Uma construção baratíssima e de muito impacto. Existe maior prova de sustentabilidade? Totalmente de acordo com o tema. Sua fachada poderá ser reaproveitada em qualquer local e a qualquer momento.


A seguir a Alemanha com suas coberturas fotossensíveis que evocavam vagens... 



          A Alemanha apresentou um pavilhão bastante grande e arquitetonicamente muito interessante. Ele dispunha de duas rotas de visitação, sendo uma interna e outra externa. As pessoas podiam caminhar por cima, dando uma volta completa em seu terraço, desfrutando de uma vista maior dos pavilhões vizinhos, que na verdade era pouco atraente. Mas não era só de visuais dos arredores que essa volta era feita: vários bancos com caramanchões de belo design e muitos canteiros de vegetação original do país polvilhavam um deque de madeira muito bem feito. Para complementar (depois da descida) oferecia uma praça com teatro e arquibancada coberta que entretinha os visitantes. Shows variados e grupos musicais se alternavam nessa pracinha ao longo de todo o período de visitação.
          

          A estrutura de seus toldos lembrava a do México, diferenciando-se principalmente nas cores. A escadaria era muito grande e fazia uma propaganda enganosa: ao final dela pouca coisa de interessante acontecia! (risos)


Um dos mais bonitos pavilhões não pertencia a nenhum país e sim a uma empresa.
Abaixo o Pavilhão Vanke.
Lindo, lindo, lindo!



O belo Kuwait


Lindíssimo por fora com essas velas fixadas de diferentes formas.
Por dentro sua composição mudava um pouco e perdia a força.


O Chile apresentou a mais bonita grelha. Pena que o volume era muito contido.
O contraste entre a madeira natural e os acabamentos pretos conferiu sofisticação.



Ao entardecer o pavilhão chileno quase vazio, mas enriquecido pelos efeitos de luz


Na seqüência o pavilhão da Indonésia: foi um dos menores e menos interessantes. 
Só era melhor que o da Argentina! (maldade)
 Impossível não associar à uma chaminé de ventilação eólica!


A Estônia veio abusando da madeira e dos volumes quadrados sobrepostos.
Bonito.


A Rússia poderia ser entendida como a Estônia melhorada! Rsrsrsrs
O grande balanço da estrutura que se projetava espelhando o piso era fantástico. 
Por dentro muito sem graça!


Um pavilhão que não merecia ser visitado por dentro
Muito lindo por fora mas, que internamente, decepcionou em todos os quesitos.



Mais madeira na Eslováquia. Bonitinho. Nada mais que isso. Por dentro era uma perda de tempo.


Interessantes e divertidíssimas esculturas na entrada da Eslováquia.


Japão!
 A parede mais incrível!


Lindo!


          Quanto às proporções o pavilhão japonês não era assim nenhuma coisa do outro mundo. Tinha um volume pobre e uma dimensão que não obtinha muito destaque. Sua entrada era tímida e sua planta baixa econômica! Bem ao gosto da ilha oriental. Mas suas paredes eram simplesmente o máximo! As peças de madeira empilhadas formavam uma incrível massa uniforme que espantava pela leveza e originalidade. Sua linguagem remetia ao país do sol nascente imediatamente! Perfeito! Inconfundível! Belo e requintado! E o mais característico de tudo: mesmo somando todos os adjetivos e superlativos mantinha-se com um indiscutível ar de humildade!




          Assim como a Alemanha o Japão também tinha duas rotas de visitação. Quem não queria entrar podia visitá-lo por fora subindo e descendo suas rampas que davam acesso ao restaurante da cobertura. Com muita coisa rolando dentro, muitos perderam uma boa exposição por causa da arquitetura maravilhosa de seu exterior.




             Esse visual aberto não foi respeitado pela curadoria do Japão. Infelizmente empilharam uns elementos coloridos e criaram um muro no primeiro patamar, onde no desenho aparece um vegetal. Foi pena...


A Polônia com suas fachadas de caixotes conseguiu um dos mais belos efeitos!
Com volume quadradão, apostou todas as fichas no alto estilo e baixo custo das paredes.


Mais madeira em outra segunda pele! Mais uma escada lateral! Os partidos muitas vezes se repetiam...


Na Polônia o tema da sustentabilidade foi muito bem interpretado...
...e optou pelo bacana uso de escultura! Foram poucas as nações que levaram boas obras de arte.


O efeito rendado ficava mais interessante com a luz do final da tarde...


O pequenino mas, correto pavilhão da Irlanda. Na tendência das tramas de madeira...
Nada de muito original em uma caixa com uma de suas paredes dilatada e curva...



Brasil! O melhor!

          Indiscutivelmente o pavilhão do Brasil foi a sensação da Expo de 2015. Foi o mais interessante e o mais procurado de todos. As filas eram intermináveis! Durante todo o dia sua visitação era concorridíssima! 
           A todo momento por onde eu estivesse eu ouvia:  "Brasile", "Brasile", "Brasile".
           Posicionado bem próximo aos portões de entrada, tinha uma localização privilegiada.
         Depois de muito tempo, somente após visitar toda a exposição é que consegui voltar ao nosso pavilhão para somente então enfrentar a pequena fila, num horário em que não haviam mais filas em nenhum outro, excetuando os Emirados Árabes Unidos.


O Brasil deu uma lição de originalidade e de boa arquitetura, ainda que tenha sofrido críticas severas pelo fato de que o projeto de sustentabilidade proposto não tenha sido levado a cabo! BALELA! 
Eu adorei. Completo ou incompleto foi o melhor! O resto é boçalidade e puro tecnicismo!


               Bolado sob o conceito de misturar arquitetura com cenografia, o pavilhão verde e amarelo oferece uma experiência sensorial que transmite ao mundo a verdadeira relação que existe entre o povo brasileiro e seus climas. Contendo dois corpos completamente diferentes entre si (um aberto e outro fechado), ele consegue informar e ilustrar de maneira eficiente e clara toda a diversidade de culturas encontrada no território brasileiro. 

             A primeira e principal estrutura provoca o visitante e oferece uma visita interativa única em todo o parque de exposições, por meio de sentimentos e aventura, tendo como palco um ambiente rústico e natural. Já a segunda totalmente fechada em si, serve de salão de exposições equipado da mais avançada tecnologia de mídia e informação com um apelo de grande modernidade e eficiência. Dessa forma o país conecta os avanços tecnológicos com a natureza exuberante e rica que proporciona a incrível oferta de culturas.

            Seu ingresso se dá, portanto, através de uma estrutura retangular extremamente vazada que permite a entrada de sol e ventos, ilustrando a natureza em si e dando ênfase às áreas de clima quente. Essa grande estrutura de ferro rústico com jogos de cheios e vazios, revestida inteiramente por belas grades, faz referência ao lado natural da relação de produção do setor primário de nossa economia. Nesse mesmo corpo um grande piso de madeira ao rés do chão exibe floreiras com plantas regionais. Entre um e outro a imensa rede.
              

               A enorme perspectiva que utiliza toda a profundidade do lote agiganta o prédio. O céu bem aberto é bem brasileiro e a estrutura rústica, de um marrom maravilhoso, lembra os tons da terra. O conjunto de cores é perfeito e remete imediatamente ao cultivo. Vez por outra o pavilhão também lembra um silo ou até mesmo um navio graneleiro: conexão com as formas de distribuição da produção interna. As plantas em vasos que exemplificam um pouco daquilo que é informado no pavilhão fechado e que dão graça e humanizam ainda mais o espaço aberto ficam na base de todo o conjunto e preenchem um tapete verde. Sutilezas que enriquecem...







Eu subindo pela rede. Gostei tanto que fui duas vezes!



A rede vista da rampa de acesso com guarda corpo de vidro. A transparência foi muito importante nesse projeto.


O mais original e o mais interessante!
Adorei esse pavilhão!


Lindo! Leve, receptivo e acolhedor: a cara do Brasil...


               O complexo brasileiro sagrou-se vitorioso em sua intenção primeira de transmitir não somente a relação direta do país com o tema geral da Expo mas, a relação direta estabelecida desde sempre entre seu território tropical, com suas características climáticas, e sua alta gama de produtos extraídos e beneficiados.


               A integração era total. As pessoas se entregavam ao prazer de subir e descer a rede, ora se jogando, ora pulando ou se balançando ou até mesmo sentando e descansando por vários minutos. Depois passando por baixo, na hora da saída, voltavam à curtição interagindo com os novos visitantes que andavam por cima. 




O pavilhão é um gigante com cara simpática!
Bem como o país que representa, não tem nenhuma pretensão de ser mais do que é!
Ilustra a imensidão territorial e a riqueza que dela se extrai, sem contudo parecer prepotente.
Isso é bem Brasil


Teto e parede com pergolado, rede de acesso, rampa lateral, deque com floreiras na onda dos paletes...
Espaço precioso e encantador!


Acima a grande rampa de acesso para quem não quer ou não pode enfrentar a rede.


               O segundo corpo, bem diferente do primeiro, já se mostra mais moderno e completamente conectado às formas de administração e comercialização das riquezas provenientes da agricultura, pecuária, pesca e extrativismo vegetal. Nele a alta tecnologia a favor da logística e gestão, complementam o outro lado da relação comercial de alimentos e exibem em multimídia todas as informações pertinentes ao assunto. Com ares mais invernais, faz lembrar que nosso país também oferece produtos de climas variados e artigos mais elaborados e especializados, como vinhos de boa qualidade e outros alimentos beneficiados.


               Nesse interior o design de alta qualidade e DNA brasileiro dá a tônica e transfigura a visita. Mostra que o país não está de brincadeira e que a premissa de modernidade e eficiência é uma realidade. O ar puro e imaculado do branco serve de pano de fundo para um mundo de informações disponibilizadas em monitores, mesas interativas e gigantes telas que forram suas paredes internas.


               Houve quem se referisse ao branco total como ausência de projeto! Eu discordo! Acredito que a diferença entre os tons terrosos da entrada lúdica (pela pérgula metálica que envolvia a enorme rede) e o interior fechado da segunda metade do pavilhão, se caracterizou como uma das mais fortes e marcantes características projetuais. Era como se o pavilhão de fato mostrasse as duas faces do processo de plantio e colheita no país: do lado de fora a natureza como ela se apresente e do lado de dentro ares de laboratório e centrais de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Achei o máximo! Houve ainda quem teve o azar de não desfrutar das imagens projetadas nas imensas paredes curvas e retas. Eu pude ver como funcionou divinamente esse "cinemão".  


Espaços amplos e refrescantes com muito lugar para sentar e desfrutar!
Infelizmente também criticado por alguns arquitetos e decoradores...
Oras! É um pavilhão! Não uma sala de Casa Cor! 


Arte pendurada do teto... com inspiração no nosso João de Barro.
Nesse caso, em minha opinião, o único defeito encontrado por mim: plantinhas de plástico!!!! Inconcebíveis...


               O bom design de produto brasileiro estava presente, ainda que de forma um pouco tímida. Tanto na original luminária do restaurante, como em sua maravilhosa variedade de cadeiras. Nessa área faltou um pouco mais de capricho e de cores na arte de decorar ou na possibilidade de explorar e exibir o design brasileiro em terras milanesas... ainda que não fosse esse o foco! O jogo de diferentes cadeiras explorando a mesma palheta de cores e materiais de acabamento me agrada, mas parece um pouco infantil. Nesse momento devo concordar em parte com as ácidas críticas que ouvi. Em parte! No mais acredito piamente que funcionou e agradou os menos engajados na área de arquitetura. O importante é que, de alguma maneira, total ou parcialmente, o pavilhão tenha agradado à todos! Inclusive aos mais cáusticos profissionais da minha área.


Abaixo a bela vedação de barrinhas de ferro achatado que dominou o projeto.
Textura e transparências...


Acima a belíssima vedação de barrinhas de ferro achatado que dominou parte do projeto.
Textura e transparências...
Abaixo o último espaço visitado, reservado para a cafeteria e lojinha de produtos nossos.
Grandes panos e poucas cores...


           O enorme e orgânico banco de fibras naturais, mostrado na fotografia anterior, espalhado pelo grande salão do bar, preencheu o ambiente de forma lúdica propondo uma integração entre as pessoas. Tomando boa parte do espaço destinado às mesas, criou vários ambientes ao seu redor, sem contudo passar a ideia de separar grupos, mas sim do oposto. Num mesmo móvel, estranhos e conhecidos em total harmonia e convívio estabelecendo contato e trocando informações e opiniões.   
             Adorei isso: um objeto que fomenta a relação humana e convida à conversa e ao debate! Sem falar dos seus instigantes desenho e material de acabamento.


Diferente da maioria dos outros pavilhões o interior do nosso era bem limpo e muito amplo.

As generosas circulações e os revestimentos padronizados deram uma cara moderna que foi muito bem explorada como pano de fundo para o material exposto. 

              
             Gostei também da palheta suave de cores e das grandes superfícies de contato. Tetos enormes e sempre brancos, pisos padronizados em grandes campos e paredes com o mesmo tratamento! Super atuais! 



DEFIBRILLATORE!
 Vai que precisa! Depois de subir a rede ou depois de ver o preço do pão de queijo! 

Saideira !!!!!!

Novamente a estrutura da cobertura central atrapalhando a visão dos pavilhões.


Tchao EXPO...



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